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“Caramelos” ganham vez: São José debate política inédita para animais comunitários

Cães Caramelos e Animais Comunitários

Proposta para os chamados cães caramelos abre discussão sobre saúde pública, bem-estar animal e responsabilidade coletiva no cuidado com cães e gatos que têm a comunidade como família.

A cena é familiar em quase todos os bairros brasileiros: aquele cão ou gato que não pertence a ninguém — mas, ao mesmo tempo, pertence a todos. Recebe água de uma casa, comida de outra, afeto de todos. Dorme na calçada, na sombra da padaria, na porta do mercado. Eles têm nome, têm história e têm laços. São os chamados animais comunitários, parte viva do cotidiano urbano.
Em São José dos Campos, esses animais acabam de ganhar destaque no debate público com a apresentação do Programa Caramelo, iniciativa do Vereador Senna (PL) que chega em meio a uma crescente preocupação nacional sobre a proteção de cães e gatos em situação de rua.

Caramelos: do símbolo ao programa

O nome não poderia ser mais representativo. Os “caramelos brasileiros” tornaram-se ícone da resiliência e da convivência afetiva com as comunidades. Mas o projeto vai além do simbolismo: ele propõe política pública estruturada para identificar, proteger e garantir atendimento básico aos animais comunitários.
O texto do programa prevê:
• castração gratuita sem exigência de tutor ou CPF;
• vacinação e microchipagem, essenciais para controle populacional e de zoonoses;
• vermifugação e acompanhamento veterinário básico;
• criação dos Pontos de Cuidado Caramelo, espaços regionais com ração e atendimento;
• direito de permanência no território onde vivem, proibindo remoções arbitrárias;
• parcerias com ONGs, universidades, clínicas e voluntários.
A proposta é vista por especialistas como um passo importante para alinhar São José dos Campos a políticas modernas de bem-estar animal.

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Saúde pública e cuidado compartilhado

Embora muitos pensem que a proteção a animais comunitários é tema restrito ao afeto, a discussão é eminentemente técnica: envolve saúde pública, prevenção de doenças, controle populacional e gestão urbana responsável.
Ao permitir que animais comunitários sejam castrados e registrados sem tutor formal, o Programa Caramelo elimina um dos maiores obstáculos hoje enfrentados por protetores e moradores: a burocracia que impede a inclusão desses animais nas campanhas municipais.
“A cidade só ganha quando reconhece oficialmente a existência desses animais e se organiza para cuidar deles com critério técnico”, defende o texto do projeto.

Samu Animal

A imagem acima resgata um momento emblemático da trajetória política do Vereador Senna (PL): ainda em 2020, quando foi candidato a prefeito, ele já defendia publicamente a criação do SAMU Animal, um serviço de emergência para resgate de cães e gatos feridos, atropelados ou vítimas de maus-tratos. A peça mostrava a proposta de forma direta, com uma ambulância adaptada para atendimento veterinário e a mensagem de que o cuidado animal deveria ser política pública. Apesar de o projeto ter sido formalmente apresentado na Câmara Municipal em 2025, acabou rejeitado nas comissões internas, impedindo sua tramitação. Hoje, porém, o vereador reafirma que não desistiu: pretende reapresentar o SAMU Animal como complemento essencial ao Programa Caramelo, destacando que São José dos Campos precisa, com urgência, de um serviço de resgate e atendimento emergencial para qualquer animal em risco, garantindo proteção, rapidez e dignidade nos casos mais graves.

Animais comunitários: Caramelos uma realidade que não pode ser ignorada

O tema ganhou força nacional após casos de violência contra cães comunitários — como o do cão Orelha, morto sob suspeita de maus-tratos na Praia Brava, em Florianópolis (SC). Episódios assim expõem a vulnerabilidade desses animais quando não há um marco legal de proteção.
Para o Vereador Senna (PL), autor da proposta, o objetivo é “organizar o cuidado que já existe na prática e garantir que a cidade trate esses animais com humanidade, responsabilidade e segurança sanitária”.
A iniciativa também reforça a ideia de que esses animais não são ‘de ninguém’, mas sim da comunidade. Por isso, precisam de políticas públicas que levem em conta sua condição específica.

Um debate que ultrapassa fronteiras partidárias

Embora o projeto seja de autoria do Vereador Senna (PL), a proposta é apresentada como um avanço coletivo: atende protetores, moradores, clínicas parceiras, ONGs e autoridades de saúde.
A matéria não trata da aprovação da lei, mas da abertura de um debate necessário — e urgente — sobre o modo como a cidade lida com animais que vivem entre nós, integram o território e já fazem parte do cotidiano dos bairros.

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