O Governo de São Paulo recuperou 52 mil celulares e veículos roubados ou furtados entre janeiro e setembro de 2026. Segundo dados da Secretaria da Segurança Pública (SSP), foram localizados 20,8 mil aparelhos celulares e 31,2 mil veículos em todo o estado.
Entre as iniciativas que contribuem para a recuperação de celulares está o SP Mobile, programa que atua na prevenção e no combate aos crimes de roubo e furto de dispositivos móveis, além de auxiliar na identificação de casos de receptação.
O delegado Rodolfo Latif Sebba, coordenador do programa, destaca que informar o número de IMEI no boletim de ocorrência é uma medida importante para facilitar a localização do aparelho e a identificação de seu proprietário.
A Polícia Civil utiliza os dados registrados pelas vítimas e cruza essas informações com os dados das operadoras de telefonia. Com isso, é possível detectar celulares que foram roubados ou furtados e posteriormente voltaram a ser utilizados.
De acordo com o delegado, quando um aparelho é identificado, a pessoa que está utilizando o celular recebe uma notificação para comparecer à delegacia e prestar esclarecimentos.
Caso tenha adquirido o dispositivo sem conhecimento de sua origem criminosa, poderá entregá-lo à polícia e colaborar com as investigações na condição de testemunha. Por outro lado, se forem constatados indícios de receptação, poderá haver responsabilização criminal, conforme a análise da autoridade policial.
O registro do boletim de ocorrência é fundamental para aumentar as possibilidades de recuperação dos bens. A comunicação do crime pode ser realizada presencialmente em uma delegacia ou pela Delegacia Eletrônica. Além de formalizar o ocorrido, o documento reúne informações que auxiliam o trabalho investigativo.
A recuperação de celulares também pode ocorrer por meio da atuação conjunta entre forças policiais de diferentes estados. Um exemplo é o caso de Fábio Antunes, de 42 anos, que teve seu aparelho localizado no Rio Grande do Sul após o roubo em São Paulo.
Fábio relatou que inicialmente desconfiou da informação recebida. “Quando a polícia me ligou dizendo que tinha recuperado meu celular, achei que era trote”, afirmou.
O aparelho foi entregue ao proprietário em junho, durante uma cerimônia realizada na sede da Secretaria da Segurança Pública, na região central da capital paulista.
Desde o início do SP Mobile, em junho de 2025, até setembro de 2026, mais de 38,4 mil celulares foram recuperados no estado. Deste total, 11,6 mil já foram devolvidos aos respectivos proprietários.
Muralha Paulista reforça recuperação de veículos e cargas
Além dos celulares, o trabalho das forças de segurança também contempla a localização de veículos e cargas subtraídos. Nesse contexto, o programa Muralha Paulista utiliza a integração de câmeras e sistemas de monitoramento para identificar veículos suspeitos que circulam pelas ruas, estradas e rodovias paulistas.
Entre janeiro e setembro de 2026, as polícias Civil e Militar recuperaram 31,2 mil veículos, incluindo automóveis, motocicletas e caminhões. No mesmo intervalo, foram contabilizadas 118 ocorrências de recuperação de cargas.
O comandante da Polícia Militar Rodoviária, coronel Hugo Araújo Santos, explica que a integração entre os sistemas de inteligência da corporação e o Tático Ostensivo Rodoviário (TOR) contribui para tornar mais rápidas as ações de identificação e interceptação de veículos suspeitos.
As operações também contam com a participação dos Batalhões de Ações Especiais de Polícia (Baep) e de instituições como a Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (Ficco), vinculada à Polícia Federal.
Após a apreensão, os veículos são encaminhados à Polícia Civil para a realização dos procedimentos legais. Nos casos em que não há necessidade de perícia, a restituição pode ser autorizada pelo delegado, desde que a propriedade seja comprovada e as exigências legais sejam atendidas.
Quando existem dúvidas sobre a titularidade do bem ou a necessidade de novas diligências, o veículo permanece apreendido. Em situações nas quais a devolução é permitida, o proprietário pode assumir a condição de fiel depositário, ficando responsável pela conservação do veículo e por mantê-lo disponível até o encerramento do processo, conforme determinação judicial.
