Qualidade da produção de origem animal é tema de curso online no Vale do Paraíba

Iniciativa ligada à Secretaria de Agricultura busca fortalecer, de forma sustentável, a cadeia da bovinocultura de leite

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Bovinocultura Vale do Paraíba

Com o objetivo de fortalecer, de forma sustentável, a cadeia produtiva da bovinocultura de leite no Vale do Paraíba, a Secretaria de Agricultura e Abastecimento, por meio da CDRS Regional Guaratinguetá, implementou, há alguns anos, um projeto regional de extensão rural voltado, principalmente, a dois públicos prioritários com os quais trabalha, por conta de sua diferença econômica e social: os produtores de leite que fornecem para os laticínios com inspeção oficial e os que destinam o produto para o processamento doméstico e artesanal de derivados do produto.

Frente às múltiplas demandas identificadas pelos extensionistas, algumas ações foram priorizadas. “Como uma das estratégias de ação, investimos na capacitação dos produtores, visando ao aprimoramento da atividade leiteira e de processamento de derivados, com ênfase na qualidade e na gestão do negócio de forma ampla”, explica Jovino Paulo Ferreira Neto, diretor da CDRS Regional Guaratinguetá.

“Atualmente, também temos priorizado uma maior interação e articulação com os setores regionais e estadual do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento [MAPA], em temas como serviços de inspeção municipais e consórcios de municípios, diretivas do Programa Cidadania no Campo, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento, para oferecer suporte à legislação e aos procedimentos para o funcionamento desses serviços”, completa o gestor, que destaca que, a partir do início da quarentena, por conta da pandemia da COVID-19, a Regional do Vale do Paraíba, em conjunto com as Casas da Agricultura a ela vinculadas, buscou alternativas para manter as atividades e as capacitações dos produtores.

Parceria

Nesse esforço conjunto, a Casa da Agricultura de Cunha, no Vale do Paraíba, – município que está reestruturando o Serviço Municipal de Inspeção (SIM) para solicitar ao MAPA a adesão ao Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Sisbi-POA) – vem promovendo, há mais de um ano, ações de fomento, apoio e orientação aos produtores rurais que manipulam produtos de origem animal, principalmente os lácteos.

“Nesse período realizamos diversos cursos, reuniões técnicas, palestras, eventos e visitas. Também apoiamos a Prefeitura na adequação do SIM e na adesão ao Sisbi. Com o avanço na reformulação da legislação, identificamos que o conhecimento dos produtores necessitava de atualizações e reciclagens, no que diz respeito ao Programa de Autocontrole [PAC], o qual deve ser implementado em seus estabelecimentos, haja visto que é um requisito do MAPA, indispensável para que as propriedades rurais possam ser certificadas como inspecionadas”, informa César Gonçalves Afonso Frizo, engenheiro agrônomo responsável pela Casa da Agricultura de Cunha.

O agrônomo revela que foi estruturada uma capacitação sobre o tema. “Inicialmente, a elaboramos como uma atividade presencial, a qual foi suspensa, após ser decretada a quarentena. Com o estender do período de distanciamento social, não queríamos atrasar esse caminhar, por isso migramos o curso para o ambiente virtual. Foi um grande desafio, pois o acesso à internet em Cunha, sobretudo na zona rural, é bastante precário, além da pouca familiaridade digital da maioria dos produtores”, pontua.

No entanto, segundo César, ao abrir as inscrições, os extensionistas foram surpreendidos pela receptividade. “Tivemos mais de 60 inscritos, de diferentes municípios da região, inclusive de outros locais do Estado. Realizamos o curso em seis videoaulas, ministradas ao vivo por uma plataforma de videoconferências, mas também gravamos cada uma para que os produtores que não pudessem participar no horário estabelecido ou não tivessem sinal de internet, pudessem assistir posteriormente, sendo assim capacitados”, ressaltou César Frizo, informando que as aulas foram ministradas por ele e pela médica veterinária Tatiana Pelucio, responsável técnica por diversos laticínios da região.

Videoaulas

A interação entre os participantes e os instrutores foi excelente, explicitada na quantidade de questionamentos durante as videoaulas e no retorno dos formulários digitais enviados àqueles que assistiram às aulas gravadas.

Sobre o curso, realizado entre os dias 13 e 25 de maio, o agrônomo avalia que o objetivo foi alcançado. “Conseguimos expor, por meio de exemplos e estudos de caso, que a implementação de PAC é possível no estabelecimento agroindustrial de pequeno porte e tivemos uma boa compreensão do tema pelos participantes”, enfatiza César. O gestor ressalta que, além de produtores de leite, também participaram apicultores, criadores de galinha caipira de postura, piscicultores, fruticultores e outros, pela abrangência das informações.

Eloisa Helena da Silva, trabalhadora rural de Cunha, que faz queijo para autoconsumo, mas tem intenção de se tornar produtora de queijos artesanais, diz que decidiu participar do curso para aprimorar os conhecimentos. “Com as informações que obtive e o apoio dos técnicos, entendi a importância do PAC, pois é por meio dele que o produtor controla toda a produção, do início de fabricação até o consumo. Essa capacitação foi excelente, como outras realizadas pela Casa da Agricultura, das quais já participei”, ressalta.

Marta Vieira dos Santos Mello, que já é produtora de queijos em Cunha, afirma que as aulas agregaram conhecimentos que poderão melhorar ainda mais a qualidade de sua produção artesanal. “Gostei demais das aulas. Só pude participar porque o César enviava as gravações e eu podia assisti-las depois do trabalho”, revela.

Outro participante, Valdecir Marvulle, produtor do município de Salto Grande, localizado no oeste paulista, aproveitou o caráter online para participar do curso realizado em Cunha. “Eu fiquei sabendo do curso e decidi participar, pois estou montando um laticínio de leite de cabra e derivados e pretendo aplicar PAC desde a ordenha até o produto final”, diz.

Cartilha

Uma cartilha foi elaborada como um guia prático organizado por temas e perguntas com as principais informações, que irão auxiliar os produtores na obtenção do certificado do SIM e do Sisbi-POA. O material é direcionado aos produtores de queijos e outros produtos processados de origem animal, mel e ovos caipiras na região do Vale do Paraíba.

“Em face à restruturação do SIM de Cunha, que pretende solicitar ao MAPA a adesão ao Sisbi-POA, estabelecemos a parceria para proporcionar ao proprietário de estabelecimentos de pequeno porte a oportunidade de obter um selo de qualidade de seus produtos e a possibilidade de comércio em todo o território brasileiro, o que resultará em ampliação das vendas e melhora na renda”, explicaram os engenheiros agrônomos César Frizo, da Casa da Agricultura, e Jovino Ferreira, diretor da CDRS Regional Guaratinguetá, autores da publicação, ao lado do médico veterinário José Braulio de Oliveira Gomes, da Prefeitura de Cunha.

Os autores orientam os produtores do Vale do Paraíba, interessados em obter o selo SIM-Sisbi, a responder as questões. “É importante que todos façam uma lista do que falta organizar, elaborando um planejamento e definindo um cronograma para as ações que ainda precisam ser implementadas. Ressaltamos que caberá ao Serviço de Inspeção Municipal analisar os documentos e realizar visitas de inspeção para aprovação do estabelecimento”, relatam.

Mais informações podem ser obtidas com a Casa da Agricultura de Cunha pelo e-mail ca.cunha@cdrs.sp.gov.br.

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