Como foi criada a Bandeira do Brasil?

Bandeira Nacional enfrentou resistências até ser aceita

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Costurando a Bandeira do Brasil
Reprodução do quadro “Pátria” (1919), de autoria de Pedro Bruno, localizado no salão ministerial do Palácio do Catete

Retângulo verde, losango amarelo, círculo azul com constelações e a faixa branca com a frase “Ordem e Progresso”, essa composição da Bandeira do Brasil é inconfundível para os brasileiros. A Bandeira Nacional, em cores e formas, traz uma história cheia de simbolismo à Pátria. Ela é o emblema que marcou a passagem do sistema de governo, da Monarquia para a República, tanto que foi instituída pelo Decreto nº 4, em 19 de novembro de 1889, quatro dias após a Proclamação da República.

Desde aquele 19 de novembro, é um dos principais símbolos de representação do Brasil.

A Bandeira foi elaborada pelo filósofo e matemático brasileiro Raimundo Teixeira Mendes, Miguel Lemos, Manuel Pereira Reis, um astrônomo, e Décio Vilares, um pintor.

A bandeira Brasileira é composta por quatro cores e cada uma tem seu significado particular, composta por um retângulo verde. Esse verde tem como simbolismo a abundância das matas verdes que são encontradas no Brasil.

Logo após, está inserida nesse retângulo verde um losango amarelo. Esse losango tem como simbologia as riquezas minerais do solo que são também muito abundantes no Brasil.

Dentro do losango amarelo está um círculo de cor azul. Esse círculo tem como simbologia o céu brasileiro.

Dentro desse circulo azul estão contidas várias estrelas. São 27 estrelas ao todo. Cada estrela da bandeira representa um estado brasileiro e o Distrito Federal. No círculo também temos uma faixa branca com os dizeres “Ordem e Progresso”. Esses detalhes (faixa branca com as estrelas), possuem a cor branca para simbolizar a paz.

Essas estrelas, por incrível que pareça, estão distribuídas conforme o céu do Rio de Janeiro às oito horas e 30 minutos do dia quinze de novembro de 1889. Porém o criador Raimundo Teixeira Mendes elaborou o desenho contrariando alguns aspectos astronômicos, priorizando a estética e a disposição das estrelas.

A primeira versão da bandeira era composta por apenas 21 estrelas que significavam 21 estados sendo eles : Amazonas, Pará, Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba do Norte (Paraíba), Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Bahia, Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Goiás, Mato Grosso, Município da Corte.

A partir disso em 1968 foi criada uma lei que permitia a modificações das estrelas assim que ocorresse a criação ou extinção de algum estado. Nesse sentido foram criados mais seis estrelas para representar os Estados do Acre, Mato Grosso do Sul, Amapá, Roraima, Rondônia e Tocantins. Com essas mudanças, a bandeira do Brasil recebeu as únicas mudanças desde que ela foi adotada.

A bandeira nacional é um dos símbolos mais importantes de um país e durante toda a história do Brasil, nosso país teve várias bandeiras (ao todo onze) até que a atual fosse adotada.

Devido ao valor que a flâmula tem para o país, em 1º de setembro de 1971, foi sancionada a Lei n° 5.700 dos Símbolos Nacionais de Brasil. Nessa legislação é detalhada como deve ser a forma e a apresentação desses símbolos, entre eles, a Bandeira Nacional.

Jamais Será Vermelha!

O verde e o amarelo da Bandeira do Brasil são venerados pelo povo brasileiro, mas nem sempre foi assim. A bandeira, levou décadas até cair de vez no gosto do país.

Documentos guardados no Arquivo do Senado mostram que as críticas não tardaram. Em dezembro de 1890, um mês após a abertura do Congresso Constituinte, encarregado de aprovar a Constituição da República, o deputado Francisco Coelho Duarte Badaró (MG) subiu à tribuna para queixar-se:

— Na bandeira se encontra um atentado contra as nossas tradições. Criminosamente lançaram nela um dístico que não quadra com as nossas ideias, que pertence a uma seita absurda.

Badaró se referia aos dizeres “Ordem e progresso”. Trata-se da máxima do positivismo, mistura francesa de religião com filosofia bastante em voga entre os militares que destronaram dom Pedro II. Para o deputado, era inadmissível a menção à “seita”:

— Essa provocação tem impedido que o povo brasileiro, desde as primeiras até as últimas camadas, corra a abraçar a bandeira.

Lei e liberdade

Desde então, apareceram vários projetos de lei querendo redesenhar a bandeira, quase todos apagando a legenda. Argumentava-se até que os embaixadores passavam vergonha, pois eram insistentemente questionados se o positivismo havia virado a religião do país — com a República, o Estado tornou-se laico e o catolicismo perdeu o status oficial.

— Tão antinacional divisa impopulariza a República. É uma provocação aos cristãos, à quase unanimidade da população do Brasil — criticou o senador Coelho Rodrigues (PI) em 1896, ao apresentar uma proposta que trocava “Ordem e progresso” por “Lei e liberdade”.

Nenhum projeto do tipo, porém, conseguiu prosperar.

Segundo o consultor legislativo do Senado Joanisval Gonçalves, especialista em relações exteriores, a bandeira só começaria a vencer as resistências em 1922, quando os festejos do centenário da Independência despertaram uma onda de patriotismo.

— A bandeira precisou de tanto tempo para ser aceita porque a própria República não era consenso. O regime foi implantado sem o respaldo da população. Ao longo das primeiras décadas, havia muita gente desejando a volta da monarquia — explica.

Santos Dumont, o criador do avião, pregava a restauração. Ele, que era próximo da família imperial, exilada na França, voava com uma flâmula verde e amarela atada a suas invenções.

O modelo atual é, na realidade, uma adaptação da bandeira do Império, que havia sido desenhada por dom Pedro I em 1822, logo depois da Independência. No lugar do círculo azul, repousava o brasão da monarquia.

O verde e o amarelo não foram uma escolha aleatória nem tinham o ingênuo objetivo de representar as matas e o ouro. O verde remete ao próprio dom Pedro I — é a cor da família Bragança, que reinava em Portugal. O amarelo, à sua primeira mulher, a austríaca Leopoldina. É a cor da dinastia Habsburgo, que governava a Áustria. O losango, além disso, é a figura geométrica tradicionalmente feminina. De qualquer forma, o imperador não rechaçava a versão que enaltecia as riquezas naturais do país.

Em 15 de novembro de 1889, proclamada a República, os novos donos do poder correram para eliminar os símbolos do Império. A bandeira escolhida no mesmo dia foi uma imitação dos Estados Unidos, porém verde e amarela. Ela viajou hasteada no navio que levou dom Pedro II para o exílio. Ante a indignação generalizada, resistiu só quatro dias.

Uma gigantesca bandeira do Brasil pende continuamente no mastro da Praça dos Três Poderes, em Brasília. Feita de náilon paraquedas, ela tem 20 metros de comprimento e 14 metros de altura. São 280 metros quadrados. Desde 2000, uma empresa de Cascavel (PR) confecciona a bandeira, que é trocada todo mês. Diz Sérgio Tomasetto, proprietário da fábrica:

— Grande parte das bandeiras tem o preto e o vermelho, que indicam que o país enfrentou guerra. A nossa, não. O verde e o amarelo formam uma combinação singular, que torna a nossa bandeira bela, emocionante e inconfundível.

As bandeiras do Brasil sempre tiveram o verde e o amarelo: a de 1822, desenhada por dom Pedro I; a provisória da República, copiada dos EUA; e a atual, feita em 1889 (Reprodução)

Fonte: Agência Senado

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