A rede estadual de ensino de São Paulo conta com aproximadamente 200 mil professores responsáveis pelo ensino de cerca de 3 milhões de estudantes matriculados nas escolas da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo (Seduc-SP). Um levantamento realizado pela pasta em 2026 revela que a maioria dos profissionais tem entre 40 e 49 anos de idade.
Entre os nomes mais comuns estão Maria, José, Ana e Paulo, que, juntos, representam 7,1% dos docentes da rede.
Embora a maior concentração esteja na faixa dos 40 aos 49 anos, a rede também reúne profissionais mais experientes e professores em início de carreira. Ao todo, 1.575 docentes têm mais de 70 anos, incluindo 30 profissionais com 74 anos. No Brasil, a idade limite para aposentadoria compulsória dos servidores públicos é de 75 anos.
Matemática e língua portuguesa lideram entre as disciplinas
A matemática é a disciplina com o maior número de professores em sala de aula na rede estadual paulista, com aproximadamente 26,2 mil profissionais, o equivalente a 13,1% do total.
Na sequência aparecem língua portuguesa, com 25,6 mil docentes; história, com 16,5 mil; geografia, com 15,2 mil; e ciências, com 12,9 mil professores.
Em relação à faixa etária, os dados apontam 13,1 mil docentes entre 20 e 29 anos, 35,5 mil entre 30 e 39 anos, 61 mil entre 50 e 59 anos e 20,9 mil entre 60 e 69 anos.
O levantamento também apresenta o estado civil dos profissionais. A maioria é casada, com 96,6 mil docentes, enquanto 74,2 mil são solteiros, 20,6 mil divorciados, 2.671 viúvos e 2.435 vivem em união estável.
Entre os professores que atuam em sala de aula, a remuneração média mensal é de R$ 6.033,97. O maior salário registrado nesse grupo chega a R$ 20,4 mil.
Professores de diferentes regiões do Brasil e do mundo
A maior parte dos profissionais nasceu no estado de São Paulo, que reúne 159,7 mil professores da rede estadual. Entre os demais estados de origem mais representados estão Minas Gerais, Bahia, Paraná, Pernambuco, Ceará, Rio de Janeiro, Piauí, Paraíba e Alagoas.
A rede também conta com 220 professores estrangeiros, nascidos em 35 países. Portugal lidera a lista, com 30 docentes, seguido pelo Japão, com 22. Argentina e Chile registram 18 professores cada, enquanto Angola tem 15 e a Bolívia, 13.
Além da diversidade de origens, a rede estadual possui 389 professores indígenas e 45 docentes que atuam em escolas quilombolas.
Formação continuada e valorização dos profissionais
Entre os professores que atualizaram seus dados de formação no sistema da Secretaria da Educação, 64,6 mil possuem especialização, 6.859 têm mestrado e 1.644 concluíram o doutorado.
Uma das iniciativas voltadas ao aperfeiçoamento profissional é o programa Multiplica SP, implantado pela atual gestão estadual. A proposta promove a formação continuada por meio da troca de experiências entre educadores, incentivando o compartilhamento de práticas pedagógicas, metodologias e estratégias de ensino.
Somente no primeiro semestre de 2026, mais de 125 mil profissionais participaram das formações do programa.
A Secretaria também reconheceu mil professores com o Prêmio Professor Nota 1.000, destinado aos profissionais que se destacam no processo de ensino e aprendizagem. Outra medida é o pagamento de bônus baseado nos resultados do Sistema de Avaliação de Rendimento Escolar do Estado de São Paulo (Saresp). Neste ano, foram destinados R$ 1 bilhão em bônus a mais de 188 mil docentes, segundo o governo estadual.
Outra iniciativa foi a retomada, em 2024, da prova de promoção no Quadro do Magistério, após sete anos sem a realização do exame. A aprovação garante um acréscimo de 10,5% no salário-base dos professores e profissionais pedagógicos contemplados.
Concurso amplia oportunidades na rede estadual
Para reforçar o quadro de profissionais, o governo paulista realizou um concurso público com 15 mil vagas para professores, iniciativa que marcou a retomada de grandes contratações após quase uma década. Um novo concurso, com 5 mil vagas autorizadas, também está previsto.
A ampliação do quadro busca fortalecer a atuação dos docentes nas escolas estaduais e atender às necessidades da rede pública de ensino.
Aos 60 anos, professor transforma experiência profissional em educação
A trajetória do professor de matemática Reginaldo da Silva é um exemplo de mudança de carreira e dedicação ao ensino. Aos 60 anos, ele atua na Escola Estadual Raul Pilla, na zona leste da capital paulista, onde ingressou como professor efetivo após aprovação em concurso público.
Formado inicialmente em engenharia elétrica, em 1995, Reginaldo trabalhou por mais de duas décadas no setor privado, especialmente na área de telecomunicações. Posteriormente, decidiu cursar licenciatura em matemática e pedagogia pela Universidade Virtual do Estado de São Paulo (Univesp).
Desde 2018, ele trabalhava como professor temporário em diferentes instituições. O concurso realizado em 2023 possibilitou seu ingresso efetivo na rede estadual.
Atualmente, Reginaldo leciona para estudantes do 6º ao 9º ano do Ensino Fundamental em uma unidade do Programa Ensino Integral (PEI). Além de matemática, também trabalha com educação financeira e orientação de estudos.
O professor destaca que a experiência adquirida ao longo da vida contribui para sua relação com os estudantes e para o incentivo à persistência diante das dificuldades escolares.
Nas escolas de tempo integral, os docentes também podem atuar como tutores, acompanhando os alunos de maneira mais próxima e ajudando-os a desenvolver seus projetos de vida.
A história de Reginaldo demonstra que a docência pode representar uma nova etapa profissional mesmo após décadas de experiência em outras áreas, reforçando a importância dos professores na formação e no desenvolvimento dos estudantes paulistas.



