quinta-feira, setembro 17, 2026
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Golpes digitais: veja como identificar fraudes e saiba o que fazer para se proteger

Delegado da DCCiber aponta que pressa para resolver um problema, receio de perder uma oportunidade única ou vontade de ganhar dinheiro fácil podem ser justamente o que o criminoso precisa para convencer a vítima

Criminosos têm recorrido a diferentes estratégias para aplicar golpes e obter dinheiro e dados pessoais das vítimas. Além de links falsos usados para capturar informações bancárias, os estelionatários também utilizam recursos de Inteligência Artificial (IA) para reproduzir imagens e vozes de familiares e criar situações falsas de emergência.

Entre as principais ferramentas utilizadas pelos golpistas estão sentimentos como medo, urgência, curiosidade e a expectativa de obter alguma vantagem. A estratégia é fazer com que a vítima tome uma decisão rapidamente, sem tempo para verificar se a informação recebida é verdadeira.

De acordo com o delegado Paulo Barbosa, da Divisão de Crimes Cibernéticos (DCCiber) da Polícia Civil de São Paulo, a evolução da tecnologia facilitou a aplicação de golpes por meio da chamada engenharia social. Segundo ele, os criminosos criam situações que parecem reais para induzir a vítima a agir de forma automática.

Um dos exemplos é o golpe em que criminosos utilizam fotos de familiares disponíveis nas redes sociais para entrar em contato com a vítima e pedir dinheiro por aplicativos de mensagens. Em alguns casos, além da imagem, os golpistas utilizam informações publicadas na internet e ferramentas capazes de reproduzir a voz da pessoa.

Em uma das situações relatadas pelo delegado, o criminoso se passou pelo filho da vítima e afirmou que precisava de dinheiro porque o carro havia quebrado em uma rodovia. O suposto familiar pediu que um Pix fosse enviado diretamente para a conta de um falso mecânico.

Golpes podem mudar de acordo com a ocasião

Os criminosos também adaptam as fraudes de acordo com situações específicas e períodos do ano. Durante a Black Friday, por exemplo, podem ser criados sites falsos de comércio eletrônico com ofertas de celulares, computadores, eletrodomésticos e outros produtos por valores muito abaixo dos praticados no mercado.

Outro golpe frequente é o da falsa central bancária. Nesse tipo de fraude, o criminoso entra em contato com a vítima se passando por funcionário ou gerente de banco e informa sobre uma suposta compra realizada no cartão. A partir disso, tenta convencer a pessoa a fornecer dados, realizar procedimentos ou fazer transferências.

Também são comuns os falsos investimentos. Os criminosos utilizam redes sociais e até anúncios pagos para alcançar possíveis vítimas. As ofertas prometem retornos elevados sobre valores investidos e costumam criar um senso de urgência, levando a pessoa a acreditar que precisa transferir o dinheiro imediatamente para aproveitar uma suposta oportunidade.

Além disso, grupos criminosos podem utilizar listas com nomes e informações de possíveis alvos e até roteiros preparados para iniciar conversas e responder às dúvidas das vítimas.

Polícia orienta população a não agir por impulso

Para o delegado Paulo Barbosa, uma das principais formas de evitar cair em golpes é interromper o contato e verificar a informação antes de tomar qualquer decisão.

Em uma situação em que alguém se passa por um familiar e solicita dinheiro, a recomendação é encerrar a conversa e entrar em contato diretamente com a pessoa pelo número que já está salvo no telefone. Se a abordagem envolver uma instituição financeira, o cliente deve procurar os canais oficiais do banco e confirmar a situação.

Ofertas que prometem vantagens muito acima do mercado ou exigem uma transferência imediata também devem ser analisadas com cautela. Conversar com uma pessoa de confiança e verificar as informações por outros meios pode ajudar a identificar uma tentativa de fraude.

A orientação é especialmente importante diante de mensagens que envolvam situações de emergência, pedidos inesperados de dinheiro ou links enviados por desconhecidos. Mesmo quando a mensagem parece vir de alguém conhecido, é importante confirmar a identidade antes de realizar qualquer transferência.

O que fazer depois de cair em um golpe

Caso a pessoa perceba que foi vítima de uma fraude, a orientação é agir rapidamente. Em primeiro lugar, deve entrar em contato com o banco ou instituição financeira para comunicar o golpe e tentar bloquear a movimentação.

Em casos envolvendo Pix, a vítima pode solicitar ao banco a abertura do procedimento previsto no Mecanismo Especial de Devolução (MED), quando aplicável.

Também é importante preservar as provas. Prints das conversas, números de telefone, comprovantes de transferência, links, e-mails e demais informações relacionadas ao golpe devem ser guardados. A vítima deve evitar apagar as mensagens antes de registrar e preservar esses dados, pois eles podem auxiliar nas investigações.

Também é recomendável alterar senhas que possam ter sido expostas e bloquear cartões ou outros meios de pagamento envolvidos na fraude.

Em São Paulo, casos de fraude e estelionato podem ser comunicados pela Delegacia Digital da Polícia Civil, que disponibiliza o registro de ocorrências pela internet. O serviço atende fatos ocorridos no Estado de São Paulo.

A principal orientação diante de qualquer abordagem suspeita é interromper o contato, verificar a informação por canais oficiais e evitar decisões tomadas sob pressão.

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